O ensino superior no Brasil sempre foi uma reserva de conhecimento das elites, desde a Colônia e a criação das primeiras escolas de direito, de engenharia e de medicina no século XIX. No Brasil, a criação da universidade pública em meados do século XX, é tardia comparada à sua criação em outros países da América Latina, como Peru, México, República Dominicana no século XVI. Entre nós, o avanço lento da educação primária e secundária públicas e a qualidade das escolas privadas criou outras barreiras ao acesso ao ensino superior público para as classes trabalhadoras. Ao longo do século XX, desenvolveram-se as lutas pelo acesso à universidade. A criação dos sistemas de pós-graduação, seus laboratórios e núcleos de pesquisa ajudaram a dar visibilidade aos problemas do país e gerar conhecimentos para atender a todas as camadas da população.
(...) que o pecado nativo é simplesmente estar vivo, é querer respirar”. (Belchior)
Assim começa a “verdadeira” história da “universidade, pecado nativo” que são, até hoje, as universidades públicas, tardiamente implantadas no Brasil e penalizadas pelo Anti-intelectualismo, pelo negacionismo, pelo atraso estrutural de mais de trezentos anos de escravidão, pelo racismo e pela desigualdade em todos os campos da vida social
Maria Ciavatta; Fábio Manzano de Mello. Universidade, pecAdo nativo. O ensino superior privado no Brasil. Curitiba: CRV, 2020, p. 17-18.